segunda-feira, 26 de junho de 2017

Sesc Santos na exposição: Geografias, nosso lugar é caminho -"Pyrocephalus rubinus","Príncipe" e "Caminhos para nos fazerem parentes do futuro"



Pyrocephalus rubinus - Príncipe 
 










Para saber mais sobre este projeto, acesse:

http://principenasruas.blogspot.com.br/


"Caminhos, para nos fazerem parentes do futuro" - trabalho realizado em parceria com Laura Gorski


























Geografias – nosso lugar é caminho
(ao meu amor)
Geografia é a área do conhecimento que estuda a paisagem formada pela relação entre os sistemas de ações ou práticas sociais do humano e o sistema de dispersão de objetos no mundo. Muito além de um conjunto de características morfológicas, a geografia deve ser entendida como a atividade constante de criação de encadeamento lógico sobre a ordem espacial das coisas. É por meio da pesquisa geográfica (na relação entre espaço, sentido e valor, por exemplo) que podemos produzir conceitos para uma teoria social sobre contemporaneidade de forma a construir, também, a própria transformação do mundo que habitamos.
Tudo o que o humano realiza na superfície da terra, ou seja, toda expressão da técnica que transforma fisicamente a paisagem a partir da própria paisagem, acontece para atender às necessidades humanas mais fundamentais, como nutrir-se, abrigar-se, relacionar-se, reproduzir-se, movimentar-se, ter consigo objetos úteis, dar sentido a si e às coisas etc. O que podemos encontrar quando examinamos atenciosamente o espaço que o humano construiu para lhe rodear? De que forma aquilo que nos cerca está para nos ensinar sobre nós mesmos? A paisagem complexa em que vivemos é resultado de muitas camadas de história sobre o mesmo lugar, de sequências de diferentes relações entre atividade humana e estrutura física do mundo. A geografia escuta as perguntas feitas pela paisagem, composta por suas tantas marcas enigmáticas.
Da perspectiva cultural, a paisagem é justamente onde acontece a mediação entre o mundo das coisas e o da subjetividade humana, é uma “forma de ver”, é o objeto do processo ativo de criação e significação de “perceber” o mundo.
A presente exposição reúne frutos muito diversos dos encontros entre os sussurros das paisagens de Santos e as pesquisas de um grupo de artistas. “Geografias – nosso lugar é caminho”, é a segunda mostra de uma trilogia iniciada no Sesc Jundiaí em 2016 e que se encerrará em São Paulo em 2018. A palavra “Geografia” (que, sobretudo, é uma ciência moderna, constituída e constituinte da epistemologia hegemônica), em sua presença nos títulos das mostras, serve como metáfora à site-specificity das pesquisas realizadas.
Esse projeto resulta da articulação coletiva entre sete artistas que são atuais membros ou antigos participantes do grupo de estudos do Ateliê Fidalga, conduzido pelos artistas Sandra Cinto e Albano Afonso na capital paulistana. O subtítulo da mostra faz referência ao fato de que, entre os meses de dezembro de 2016 e fevereiro de 2017, os artistas organizaram, em parceria com o SESC e com a participação do público, uma série de caminhadas por diversas regiões da cidade, nas quais puderam praticar formas alternativas (não-científica, não-hegemônicas) de criar paisagens, de examinar o espaço urbano.
O caminhar é um processo especial de reconhecer territórios e de construir conhecimento sobre um lugar. Na deriva ambulatória, não vemos o mundo com o distanciamento de quem observa um mapa como se sobrevoasse a cidade com olhos universais. Caminhando ao rés do chão, podemos ver as marcas do tempo e da história, não contornamos os sinais da desigualdade social e da exploração do homem pelo homem, carregamos dentro de nós nossa cultura, sentimos os cheiros das esquinas, estamos igualitariamente com objetos, animais e plantas, somos menores que os muros, maiores que quase nada.
Foi por meio do caminhar em Santos que os artistas Cristina Ataide, Daniel Caballero, Flavia Mielnik, Helen Faganello, Laura Gorski, Renata Cruz e Renato Leal investigaram essa cidade cujo desenvolvimento é entrelaçado à História do Brasil, com um fluxo de formação social e cultural complexo e cheio de dobras, que é parte insular e parte continental, diretamente ligada ao fundo do Oceano Atlântico e ao topo Serra do Mar, que contém o maior porto da América Latina e uma enorme Área de Proteção Ambiental. Os diferentes aspectos da geografia de Santos ecoaram vacantes em cada um dos artistas de maneira que essa exposição oferece ao público paisagens que são fragmentos costurados de paisagem. Essa mostra, uma reunião de olhares simultâneos e alternativos sobre o mesmo lugar, nos inspira a noção de há muitas maneiras de perceber, aprender e se envolver afetivamente com um mesmo entorno. Pois, afinal, o que será que responderemos às paisagens quando passarmos a nos permitir ouvir as perguntas que nos fazem?


Bernardo Mosqueira, fevereiro 2017.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

"QAP: Tá na escuta?" - Instituto Tomie Ohtake - São Paulo


Convite

Te convido a construir comigo um trabalho.
Os desenhos que você vê na parede são parte do trabalho, já iniciado por mim.
Ele se chama “Enquadramento”.
Enquadramento é a “janela” por onde abordamos a paisagem.
É o nosso ponto de vista da paisagem.
Do lugar onde estamos, nosso olho “recorta” e “enquadra” o espaço.
Nosso olhar escolhe.
“Enquadramento”, é sobre prestar atenção ao que olhamos.
Na parede estão meus desenhos em aquarela sobre papel. Meu olhar, nos últimos tempos, presta muita atenção às pessoas em situação de rua e seus cobertores pela cidade.
Os cobertores são, para mim, como comprovantes de residência que, através de suas estampas, me permitem reconhecer a casa dos meus vizinhos.
Prestando mais atenção, percebi que estas residências ocasionais são formadas também por garrafas de água e animais.
Eu gostaria de saber o que você presta atenção quando anda pela cidade.
Se você puder me oferecer seu ponto de vista em forma de texto, imagem desenhada ou colada, ou textos e imagens juntos, como eu faço, por favor, pegue uma folha em branco dentro da caixa 1 e fique à vontade para usar o material disponível da caixa 2.
Quando terminar coloque sua folha na caixa 3.
Assim que eu retornar a este trabalho, vou organizar todos os “pontos de vista” na parede junto aos meus.
Muito obrigada por ler minha proposta. Espero poder aprender sobre a nossa cidade através do teu olhar.
Um abraço,

Renata Cruz